Chengdu foi a cidade que eu menos gostei na China, mas também foi a cidade que nos mostrou uma das coisas mais legais que vimos em toda a viagem. Bem contraditório, eu sei. Chegamos lá depois de uma viagem horrível/horrorosa, exaustos e fomos direto para o hostel. Tivemos que dar várias voltas até encontrá-lo, mesmo tendo o endereço em chinês escrito. Esse hostel só tinha um banheiro estilo ocidental, e ficava no térreo, enquanto nosso quarto ficava no terceiro andar. Mas ele também tinha um Xbox que deixou as crianças bem felizes, e as camas eram confortáveis.

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Logo depois de chegarmos eu desmaiei no quarto, a Bina e o Lucas ficaram jogando videogame, que ficava bem ao lado do quarto. Lá pelas tantas ele entram no quarto me pedindo para por favor ir lá com eles, pois nós fomos convidados para jantar. Isso mesmo, dois chineses que também estavam hospedados ali não só nos convidaram para comer, como fizeram questão de nos preparar um banquete. Eles fizeram batata frita e frango frito para as crianças, e um monte de comida chinesa para nós. Eu me senti péssima, eles com tanta gentileza e eu lá morrendo de nojo de comer cabeça de pato marinado no molho shoyu, que eles me garantiram que era muito bom. E eles não comiam, me disseram que como eles nos convidaram, eles só comeriam depois de nós. Pelo menos eles não serviram a cabeça de coelho que eu vi para vender em diversos lugares lá. Aliás, Chengdu foi o lugar que eu vi mais comidas bizarras para vender, tinha tudo que era tipo de pés de animais, cabeças e até focinho de porco. E é claro, o stink tofu, uma das coisas mais fedidas que já vi na vida, parecia que estavam fritando bosta.

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Mas nós fomos até Chengdu com um objetivo: ver os pandas. É em Chengdu uma das maiores reservas de pandas do mundo, onde tratam animais resgatados e também onde tem uma das maiores maternidades dos bichinhos. A moça no hostel nos indicou que o melhor é chegar lá bem cedo, para pegar os bichinhos comendo, que é quando eles estão mais ativos. Assim, saímos antes das 7 da manhã, pegamos um táxi, nos certificamos que íamos com o taxímetro ligado, e fomos para lá (e nenhuma tempestade à vista). São mais de 40 minutos até o local, que fica afastado da cidade.

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Bebês panda

Coberto de restos de bambu

Coberto de restos de bambu

Gente, eu descobri, eu sou um panda. Eles são tão, mas tão fofos! Eles vão lá, sentam ao lado de uma montanha de bambu e ficam lá, comendo e comendo. Depois eles vão bem devagarinho, como se cada passo fosse um imenso esforço. Parece eu saindo para caminhar. Sobe um degrau, para, descansa, sobre outro… Sou eu subindo uma escada!!!! Depois eles ficam lá, deitadões, tomando um solzinho e só sendo fofos. Tem pandas de tudo que é idade, até os bem filhotinhos, que mal se mexem. Nos amamos pandas, é nosso bicho preferido no mundo.

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Pra que se levantar pra comer?

Lá tem também os pandas vermelhos, que são um outro tipo de animal, mas que também são tratados lá. O lugar por si só é muito lindo, com túnel de bambu, muita natureza e até um laguinho. Tem uma apresentação em vídeo contando a história da reserva e mostrando o trabalho que eles fazem e um pequeno museu sobre os pandas. E, como não poderia deixar de ser, uma lojinha no final. Lá os produtos dos pandas (bichinhos de pelúcias, briches, imãs de geladeira e afins) são um pouco mais caro que no resto da cidade, mas toda a grana arrecadada vai para a manutenção do parque. Saímos de lá no início da tarde. Um fato engraçado: no final do passeio fomos ao banheiro, foi o único lugar que fomos que tinha os banheiros modelo japonês, com controle e tudo, tinha tipo uns 5 destes e 2 dos chineses (buraco no chão), e mesmo com o banheiro vazio, as chinesas preferiam ir no banheiro chinês. Essa coisa de mijar agachado é cultural mesmo.

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Nos outros dias passeamos um pouco pela cidade, que não tinha nada de muito diferente das outras cidades, apesar de que achei o trânsito um pouco menos caótico lá. E lá a comida tinha um cheiro um pouco pior. De lá pegamos o trem para Xi’an, dessa vez não tinha mais lugares sleeper no trem noturno, então acabamos viajando de dia mesmo, no sleeper, num trem de horário tosco (saia as 7:30 e chegava lá perto da meia noite), mas eu não estava disposta a uma viagem de 15 horas no hard seat de novo.

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